Publicado por: lucasmafaldo | Dezembro 17, 2007

Novo site do Aristoi: www.aristoi.com.br

Caríssimos,

O Aristoi possui um novo site em domínio próprio: www.aristoi.com.br

Visitem e divulguem entre os amigos.

Um abraço,
Lucas Mafaldo

Publicado por: Silvio Grimaldo | Outubro 24, 2007

Sugestões de leitura por Olavo de Carvalho

Em seu último programa de rádio, o True Outspeak de 22 de outubro, o filósofo Olavo de Carvalho, respondendo ao e-mail de um leitor preocupado com sua má formação em história e que pedia orientação para estudo, presenteou seus ouvintes com uma ótima seleção daquelas que ele considera as 10 obras primas da historiografia.

Reproduzimos a lista abaixo para nossos leitores, com link para onde essas obras podem ser compradas – em vários idiomas – ou para onde podem ser descarregadas no computador, quando disponíveis on-line.

Esperamos que aproveitem!

1) Leopold von Ranke. A história dos Papas.

Inglês. Espanhol. Download inglês.

2) Hippolyte Taine. Origens da França Contemporânea.

Inglês. Francês. Download inglês.

3) Frederic Maitland. Domesday Book And Beyond: Three Essays in the Early History of England.

Inglês. Download inglês.

4) Edward Meyer. História da Antiguidade.

Espanhol.

5) Jacob Burckhardt. A civilização da renascença na Itália.

Português. Download inglês.

6) Theodore Mommsen. História de Roma.

Espanhol. Download inglês e alemão.

7) George Grote. História da Grécia.

Inglês. Download inglês.

8) Ernst Kantorowicz. Os dois corpos do rei.

Português.

9) Johan Huizinga. Outono da Idade Média.

Português. Download inglês.

10) Modris Eksteins. Ritos da Primavera.

Português. Inglês.

Publicado por: lucasmafaldo | Outubro 18, 2007

Projeto Editorial Aristoi

Caríssimos,

Estamos analisando a viabilidade de um dos nossos projetos. Tenho certeza de que apreciarão sua importância: queremos publicar todos os principais livros sobre educação liberal e o pensamento conservador.  

Nosso projeto está pronto, mas precisamos saber se há um público interessado nesta iniciativa. Por isso, sua opinião é importantíssima. Peço que leia o resto do e-mail e nos envie sua opinião. As respostas servirão de base para planejarmos nossas próximas atividades.

Imagino que a maioria de vocês já tenha ouvido Olavo de Carvalho falar do imenso abismo cultural que separa o nosso país do resto do planeta: sem exagero, ele já contou mais de mil títulos importantes que faltam no mercado editorial nacional. Da extensa obra de Mortimer Adler, apenas um título foi traduzido – e, no momento, encontra-se esgotado. Russell Kirk permanece totalmente inédito. Apenas uma pequena fração da obra Eric Voegelin foi traduzida.

Pretendemos traduzir estes livros e todos os demais que sejam relevantes para a formação da cultura nacional. 

Nosso atraso cultural é um dos grandes responsáveis por nosso contínuo atraso político e econômico. As raízes dos nossos problemas sociais estão na nossa dificuldade em absorver as grandes produções intelectuais e espirituais da espécie humana. Para que qualquer problema social seja resolvido, é preciso haver gente inteligente para encontrar a solução. Enquanto a própria questão da inteligência não for solucionada, tudo o mais ficará sem solução.

Nós, do Aristoi, temos um plano para reverter esse atraso cultural. E precisamos da sua ajuda para pô-lo em prática.  

Há mais de um ano estamos elaborando um projeto para traduzir e publicar todos estes livros. Nós já temos voluntários e uma equipe disposta a trabalhar de graça por este projeto. Um empresário nos cedeu sala e computador. Só nos falta uma coisa: recursos financeiros para pagar pelos serviços que precisam ser terceirizados e remunerados (direitos autorais, tradução, gráfica, etc.).

Para arrecadar o dinheiro faltante, nosso plano é o seguinte: criar um site com uma área para membros, com fórum de discussão e textos exclusivos, e cobrar 25 reais mensais pela assinatura.

Os assinantes receberiam uma série de benefícios: teriam textos exclusivos e descontos na compra de produtos ou serviços do Aristoi. Além disto, fariam parte de uma comunidade virtual de pessoas interessadas nesse campo. Será uma oportunidade única para criar uma rede nacional de pessoas interessadas nesse campo.

Mas, além de tudo isto, eles teriam a satisfação de estarem financiando um grande projeto de renovação cultural nacional. O ritmo das publicações dependerá, evidentemente, do ritmo das contribuições. Mas, a longo prazo, pretendemos traduzir toda uma série de livros importantíssimos que estão ausentes no mercado nacional – alguns, há mais de cinqüenta anos.

Dito isto, chegamos a minha pergunta: vocês assinariam tal site? Vocês fariam parte desta iniciativa? Vocês querem fazer parte da primeira comunidade nacional de educação liberal?

Você, caro leitor, estaria disposto a contribuir mensalmente com 25 reais para furar o bloqueio cultural que cerca o nosso país, financiando a publicação de livros que, há cinco décadas, estão ausentes do nosso mercado editorial?  

Costumamos reclamar muito, mas fazer pouco. É esta é uma oportunidade para fazermos muito. O que você nos diz?

Por isso, peço que todos que puderem – e quiserem – ajudar, que respondam a esta mensagem. Basta nos enviar uma mensagem através da nossa seção de contato. Um simples “sim” ou um “não” é suficiente – mas aceitamos também todo e qualquer comentário mais extenso.

Sua resposta não implica em nenhuma obrigatoriedade; servirá apenas para sabermos quantos estão interessados no projeto e analisarmos sua viabilidade.

Aguardo sua resposta e agradeço sua atenção.

Um grande abraço,
Lucas Mafaldo
Diretor do Aristoi – Instituto de Educação Clássica  

Publicado por: lucasmafaldo | Agosto 29, 2007

Curso de leitura dos clássicos em Londrina

Caríssimos,

Fico feliz em avisá-los de que o Aristoi está montando sua primeira turma de educação liberal. O curso – chamado de “Educação pela leitura dos clássicos” – será ministrado por Silvio Grimaldo em Londrina, Paraná.

Seguindo as indicações de Adler, as aulas partirão diretamente da discussão das obras clássicas com o objetivo de introduzir o aluno na “grande conversação” do Ocidente. A discussão começará com Platão e prosseguirá com Sófocles, o Antigo Testamento, Shakeaspeare, Dostoievski e vários outros.

Silvio Grimaldo é sociólogo, formado pela Universidade de São Paulo. Em 2006, foi um dos vencedores do III Prêmio Donald Stewart Jr., do Instituto Liberal do Rio de Janeiro, do qual recebeu uma bolsa para estudar na Foundation for Economic Education, em Nova Iorque. Ele é aluno do filósofo Olavo de Carvalho e há anos vêm pesquisando assuntos ligados à filosofia, religião comparada e aos fundamentos da educação clássica e medieval.

Esperamos que este curso seja apenas o primeiro de um longo projeto de revitalização intelectual do nosso país – e esperamos poder contar com a participação de vocês nesta primeira etapa.

Para saber mais sobre o curso – fundamentação teórica, metodologia e
programa de estudos – visitem a seção de projetos.

Um abraço,
Lucas Mafaldo

Publicado por: lucasmafaldo | Julho 8, 2007

A Educação Clássica dos Fundadores dos Estados Unidos

Escrito por Martin Cothran
Originalmente publicado no Classical Teacher, Spring 2007
http://www.memoriapress.com/articles/founding-fathers.html
Tradução para o Aristoi de Lucas Mafaldo Oliveira

Existe uma razão que move vários pais a ensinarem aos seus filhos sobre os homens que fundaram os Estados Unidos, e ela vai além de apenas familiarizá-los com o quem eles eram e o que eles fizeram. Mais do que apenas ensinar nossos filhos sobre estes homens, através de histórias e biografia de suas vidas, muitos de nós queremos que nossos filhos se tornem semelhantes a eles. Os pais fundadores possuíam duas características que os distinguiam dos outros homens do seu tempo – aliás, da maioria dos homens de qualquer tempo: sabedoria e virtude. São estas duas qualidades as que mais admiramos neles e as que mais gostaríamos de ver em nossos filhos. Mas, mais importante que admirar estes traços, deveríamos almejar entender como eles se tornaram assim.

A educação clássica dos fundadores

“Os americanos vêem os pais fundadores sobre um vácuo, isolados do solo que os nutriram”, diz Traci Lee Simmons, em seu livro “Climbing Parnassus: A new Apologia for Greek and Latin”. Para os fundadores, diz Simmons, estas virtudes viam principalmente de dois lugares: “o púlpito e a sala de aula”.
Já estamos familiarizados com a influência bíblica explícita na fundação dos Estados Unidos, mas estamos muito menos familiarizados com as influências clássicas nos fundadores – e como estas duas influências agiram em conjunto para moldar tanto a educação quanto o pensamento deles.

É um fato bem conhecido de que, no período colonial, predominavam pessoas letradas. “Um nativo americano que não sabe ler ou escrever”, diz John Adams, “é uma aparição tão rara… quanto um cometa ou um terremoto”. Por outro lado, não é um fato tão conhecido que os primeiros americanos com uma educação formal geralmente conheciam várias outras línguas além da sua própria.

A educação típica daquele tempo começava no que hoje chamamos de terceira série – mais ou menos aos oito anos. Os estudantes que, de fato, iam para a escola, tinham que aprender as gramáticas grega e latina e, depois, serem capazes de ler os historiadores latinos Tacitus e Lívio, os historiadores gregos Heródoto e Tucídides, e serem capazes de traduzir os versos latinos de Virgilio e Horácio. Era esperado que eles soubesses essas línguas bem o suficente para traduzir do original para o inglês e, depois, de volta para o original, em um tempo gramatical diferente. A Educação Clássica também enfatizava as sete artes liberais: Latim, lógica e retórica (o trivium) e também aritmética, geometria, astronomia e música ( o quadrivium).

Thomas Jefferson recebeu, muito cedo, treinamento em latim, grego e francês, do Reverendo William Douglas, um clérigo escocês. Aos quatorze anos, o pai de Jefferson morreu, e, seguindo o desejo expresso de seu pai, ele continuou sua educação com o Reverendo James Maury, que dirigia uma academia clássica. Depois de sair da academia de Douglas, Jefferson freqüentou o College of William and Mary, onde sua educação clássica prosseguiu em paralelo aos seus estudos de direito.

Quando Alexander Hamilton entrou no King’s College (agora chamado de Columbia University), em 1773, era esperado que ele já dominasse as gramáticas gregas e latinas, fosse capaz de ler três discursos de Cícero e a Eneida de Virgílio, ambos no original em latim, e ser capaz de traduzir os dez primeiros capítulos do Evangelho segundo João do grego para o latim.

Quando James Madison se inscreveu no College of New Jersey (agora, Princeton), era esperado que ele soubesse “escrever prosa em latim, traduzir Virgílio, Cícero e os evangelhos gregos e [possuir] um conhecimento comparável das gramáticas gregas e latinas”. Antes mesmo de entrar na faculdade, no entanto, ele já havia lido Virgílio, Horácio, Justiniano, Nepos, César, Tacitus, Lucrécio, Eutropius, Fedro, Heródoto, Tucídides e Platão.

Outras figuras-chaves na fundação dos Estados Unidos receberam uma educação semelhante, incluindo John Taylor of Caroline, John Tyler e George Rogers Clark, todos os quais estudaram os clássicos com o pregador escocês Donald Robertson.
É interessante observar que o estudo do Latim e do Grego – que é o que o termo “educação clássica” originalmente implicava – não era algo que eles aprendiam na faculdade, mas algo que era esperado que eles soubessem antes de entrar nela.

Estes homens não apenas tiveram que ler os clássicos na escola, eles os leram na vida adulta por prazer e pelos benefícios que tiravam do aprendizado. Hamilton aparentemente tinha uma propensão a copiar páginas e páginas de Plutarco e Demóstenes. John Adams copiava longas passagens de Salústio, o historiador romano. Caso você procure um pouco na internet, você encontrará um manuscrito de doze linhas à venda, na língua original do grego de Heródoto, pelas mãos de Adams. Isto lhe custará meros 6,300 dólares.

Os fundadores conheciam estes escritores e os citavam prolificamente. Suas cartas, particularmente, demonstravam uma ampla familiaridade com os autores clássicos. A correspondência entre os homens educados da época costumava ser recheada de citações clássicas, geralmente no original latino ou grego. Aliás, aparentemente, o uso de tais citações era tão generalizado que, algumas vezes, chegava a incomodar o destinatário: Jefferson usava tantas citações gregas em suas cartas para Adams – que, pessoalmente, tinha uma predileção pelo latim – que chegou a receber uma reclamação do amigo sobre isto em certa ocasião.

Aparentemente, não foi a primeira vez que Adams se mostrou reticente quanto às línguas clássicas. Quando ele era jovem, hoje sabemos, ele não era um estudioso muito entusiasmado, e resistia ao estudo do latim. No entanto, seu pai possuía um bom remédio para isso: ele o mandava cavar algumas valas, uma atividade que rapidamente reacendia o seu entusiasmo pelos estudos. Depois, ele chegou a amar o latim, e insistiu para que a mesma educação clássica fosse dada aos seus filhos: John Quincy (que depois se tornaria presidente, como seu pai) e Charles.

Vários dos fundadores, incluindo Adams, estudaram em Harvard. O único requisito acadêmico para ser admitido na Harvard University de 1640 era o seguinte: “Quando um estudioso for capaz de ler Cícero, ou outro autor clássico latino ex tempore, e escrever e recitar o verdadeiro latim, em prosa e em verso, e declinar perfeitamente os paradigmas dos nomes e verbos na língua grega, então ele pode ser admitido na faculdade, e nenhum pode requerer sua admissão antes de obter tal qualificação”.

Nada de testes ACT ou SAT. Nada de prova de redação. Nada da ação afirmativa. Apenas latim e grego.

[Nota do tradutor: e nós, brasileiros, poderíamos adicionar também: “Nada de vestibular.”]

Nos primeiros anos da colonização, também era esperado que os estudantes, de acordo com as regras da Harvard College, fossem capazes de traduzir o Antigo e o Novo Testamento, dos originais em grego e hebreu, para o latim. E não era apenas isto; veja outro requisito da Harvard daquela época: “Os estudiosos jamais devem utilizar sua língua materna, exceto em exercícios públicos de oratória ou em situações do tipo, onde sejam orientados a realizá-los em inglês”. Em outras palavras, com poucas exceções, os estudantes eram proibidos de utilizar o inglês em sala de aula e nos deveres escolares.

Algo disto certamente mudou até a época em que os fundadores começaram a freqüentá-la, mas não muita coisa: quando se tratava da educação clássica universitária, no período colonial, eles não faziam concessões.

Dos cinqüenta e cinco delegados da Convenção Constitucional, trinta deles possuíam uma graduação universitária, um número assombroso para a época. Mas, e aqueles que não possuíam o grau universitário, como George Washington? Eram eles, de alguma maneira, influenciados pela educação clássica? No caso de Washington, mesmo com pouca educação formal, ele possuía uma extrema admiração pelos pensadores clássicos. Existem registros que mostram que ele encomendou bustos de figuras como Cícero, que presumivelmente eram expostas em sua casa em Mt. Vernon. Ele também se preocupava com a cultura clássica o suficiente para fazer com que a peça de Joseph Addison sobre o jovem Cato (um estadista romano famoso) fosse apresentada para sua tropas no Valley Forge. Ele também insistiu em dar uma educação clássica ao seu enteado.

Mesmo os muitos que tinham pouquíssima educação formal costumavam possuir bastante conhecimento sobre as disciplinas clássicas. George Wythe, da Virgínia, que depois ficaria conhecido como o “Professor da Liberdade”, foi educado em casa por sua mãe, em uma região interiorana, e todos os seus contemporâneos reconheciam a perfeição do seu conhecimento do grego.

As Influências clássicas impregnavam as salas de aula, mas não se limitavam a elas. Mesmo o que os americanos ouviam do púlpito estava imbuído de referências e alusões clássicas. Os pastores da época tinham uma educação muitíssimo melhor que os de hoje, e eram os membros da comunidade que mais provavelmente haviam recebido uma educação clássica.

Não é incomum, nos dias de hoje, ouvir que os cristãos deveriam evitar a leitura dos autores pagãos da antiguidade. Esta é uma idéia que a geração dos fundadores – incluindo grandes pensadores cristãos como Cotton Mather e Jonathan Edwards – teria considerado simplesmente absurda. Além do fato de que os padres e pastores (ou aspirantes a estas vocações) eram os principais responsáveis pela condução da educação clássica, o estudo dos clássicos era considerado um componente essencial da formação do clero cristão. Na verdade, todos os grandes teólogos e pensadores cristãos, do início dos Estados Unidos, estavam imersos e saturados nos clássicos. Mais do que compatível, o estudo dos clássicos era absolutamente essencial para uma vocação cristã.

Foram principalmente os não-religiosos e os homens mais interessados nas possibilidades práticas da ciência do que com as realidades espirituais que tiverem uma opinião desfavorável da educação clássica; homens como Benjamim Franklin que, mesmo se tornando depois um deísta e depois um teísta (sem chegar a se tornar um cristão), sempre considerou que o estudo d as línguas clássicas eram um anacronismo.

Como os clássicos influenciaram o pensamento dos fundadores.

Se os fundadores estavam mergulhados no conhecimento do pensamento clássico, como isto afetou o pensamento deles sobre a nova nação? Primeiramente, isto inculcou neles o respeito pelas lições da história, lições que transpareciam em seus escritos e nos seus debates sobre como construir a República Americana. “Eu tenho apenas um lâmpada para guiar meus passos”, disse Patrick Henry, “e esta lâmpada é a experiência. Eu não conheço maneira de julgar o futuro, a não ser através do passado”.

Eles examinavam os anais dos antigos em busca de exemplos de governos que funcionaram bem – e também em busca dos que não funcionaram. Eles sabiam, muito antes que o filósofo George Santayana nascesse para dizê-lo, que “aqueles que não conhecem a história, estão condenados a repeti-la”.

“Estes homens”, diz Simmons, discutindo os debates da Filadélfia de 1787, “haviam lido e digerido Polibius, Aristóteles e Cícero, e eles usavam estes antigos luminares para elaborar e ilustrar suas idéias perante a assembléia… Estes debates, tão calorosos quanto eruditos, junto com os artigos d’O Federalista, estavam claramente repleto de sutis alusões clássicas – com as quais, Madison, Hamilton e Jay presumiam que os leitores estariam suficientemente familiarizados – e referências diretas às ligas – da Lícia, Acaia e Etólia – formadas pelos gregos antigos com o objetivo de alcançar segurança física e política.

Não apenas os artigos d’O Federalista estavam repletos de referências clássicas, mas os próprios pseudônimos escolhidos por cada escritor foram retirados de escritores do período clássico.

A educação clássica nos dias de hoje

Ser inspirado pelos grandes feitos dos grandes homens é nos dar a motivação para realizar feitos semelhantes. Para nos tornar grandes, é preciso começar por observar o que os outros grandes homens fizeram, para nos inspirarmos a fazermos, nós mesmo, o mesmo tipo de coisa. No entanto, enquanto atentar para estes grandes feitos é uma grande fonte de motivação, isto não é o suficiente para nos habilitar a realizar o que eles realizaram. Podemos admirá-los, mas não isto não vai necessariamente nos tornar semelhantes a eles. Para isto, mais que admirá-los, precisamos também fazer o que eles fizeram.

É tentador olhar para a educação destes grandes americanos e pensar que o que eles fizeram é muito difícil para os estudantes de hoje em dia – mas isto seria um erro gravíssimo. Sim, eles tiveram algumas vantagens que nós não temos; principalmente em termos de terem menos distrações, mas isto é algo que podemos controlar. E, na verdade, também temos vantagens que eles não tiveram: os recursos educacionais disponíveis aos estudantes coloniais, por exemplo, não apenas eram difíceis de encontrar, mas eram de uma qualidade imensamente inferior ao que temos hoje em dia.

Nós podemos, além disso, dizer que não temos a mesma firmeza, mas isso não é algo que eles trouxeram para a sua educação; antes, é um benefício que receberam dela.

A educação é o cultivo da sabedoria e da virtude. Ao decidir como transmitir isto aos nossos filhos, faríamos bem em observar como isso foi feito em um tempo onde sabedoria e virtude eram mais prevalentes do que nos nossos dias.

Publicado por: lucasmafaldo | Junho 19, 2007

O que é a grande conversação?

Ao definir o que seja a educação liberal, Adler freqüentemente se refere à “grande conversação”. Mas, o que significa isso?

Adler cunhou este termo para expressar algo que todos podemos observar facilmente: o mundo está repleto de opiniões; a cada esquina, podemos encontrar alguém discorrendo sobre política, economia, religião, literatura, etc. Além disto, multiplicam-se as publicações: livros, revistas e jornais – sem falar nos milhões de sites que surgem diariamente na internet. A quantidade de informações há muito passou do excessivo: quando há tanta coisa sendo dita, em quê devemos prestar atenção?

Ora, podemos ver facilmente que nem todas estas opiniões têm o mesmo valor. Muitos dos debatedores de esquina nem mesmo se lembrarão de suas próprias opiniões em um ano. Muitos dos livros, revistas, jornais e sites que hoje são badalados, serão completamente esquecidos em alguns anos – talvez meses. Por outro lado, existem certas opiniões que resistem ao teste do tempo; passam-se anos, séculos, e até milênios, e elas continuam sendo relevantes nas discussões da atualidade. É este conjunto de opiniões que paira acima dos debates culturais de cada época que Adler chama de “grande conversação”.

A grande conversação ao mesmo tempo é tanto o alimento como o produto das grandes mentes da história. Estas opiniões persistem ao longo das épocas porque são justamente as mais valiosas que cada tempo produziu; e, por serem as mais valiosas, são elas justamente que serão consideradas pelas grandes mentes de cada época. St. Tomás não perdia seu tempo batendo boca nas esquinas, pois ele sabia que poderia encontrar uma fonte muita valiosa na leitura de Aristóteles. E o próprio Aristóteles, por sua vez, não perdia seu tempo discutindo com qualquer um, mas preferia analisar com cuidado as opiniões que lhe chegaram dos grandes mestres do passado.

Cada grande pensador, portanto, se afasta dos modismos do seu tempo para discutir com os grandes mestres do passado; deste modo, cria-se uma tradição auto-referente, onde o mais novo participante da discussão procura primeiro inteirar-se do que foi dito anteriormente, para depois oferecer sua própria contribuição. Se esta nova contribuição se mostrar sendo muito valiosa, ela também resistirá à passagem do tempo, e irá se integrar como mais um capítulo nesta grande conversação.

A idéia de uma grande conversação coloca o excesso de informação do nosso tempo em nova perspectiva: de tudo o que está sendo dito, o que tem realmente um valor intrínseco e o que é apenas modismo passageiro? O que irá permanecer e o que será logo esquecido? Fazendo estas perguntas, logo percebemos que, mais importante que absorver um grande número de informações, é preciso aprender a separar o relevante do irrelevante; e, percebemos também, que uma opinião será tanto mais relevante quanto seu defensor estiver consciente da evolução dos debates da grande conversação. A conclusão necessária, portanto, é que antes de procurar adquirir informações, deveríamos buscar adquirir uma educação liberal que, nos inteirando dos debates da grande conversação, nos tornaria aptos a julgar adequadamente os debates da atualidade.

Por ser uma educação voltada para a grande conversação, a educação liberal é necessariamente uma educação voltada para a leitura dos grandes livros. Já estamos muito distantes do tempo de Platão, onde havia uma rica tradição oral através da qual podíamos nos inteirar das grandes opiniões do passado. Atualmente, grande parte desta tradição está perdida, mesmo entre aqueles que profissionalmente deveriam resguardá-la. Portanto, a educação liberal é, no nosso tempo, necessariamente uma educação através dos livros – não de quaisquer livros, mas apenas daqueles que foram escritos pelos melhores da nossa história.

Lucas Mafaldo Oliveira 

Publicado por: lucasmafaldo | Junho 18, 2007

Terminologia: educação clássica e educação liberal

É preciso fazer alguns esclarecimentos quanto a terminologia utilizada em nosso site. O que estamos aqui chamando de “educação clássica” é idêntico ao que os anglo-saxões chamam de “liberal education” que costuma ser traduzido por “educação liberal”.

Ao invés de seguir a tradução corrente, optamos por propor um novo termo para evitar ambiguidades. Temos observado que, quando falamos em educação liberal, as pessoas costumam associá-la ao liberalismo econômico – o que é um grande equívoco.

Uma liberal education necessariamente se coloca acima de qualquer partidarismo ideológico – seja de esquerda ou de direita. Seu objetivo final é ensinar o aluno como pensar e não de dizer o quê ele deve pensar. Por isso, é totalmente despropositado identifcar qualquer filiação política a esta filosofia educacional.

A origem da palavra liberal neste termo vem de liberdade, que é o que o aluno deverá alcançar depois de conhecer em primeira mão as fontes originais do pensamento ocidental.

Acreditamos que o termo educação clássica é preferível tanto por transmitir de maneira direta esta noção – absolutamente central – da importância da tradição cultural como por evitar as associações ideológicas externas ao tema em questão.

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